sábado, 14 de abril de 2012

Qual o caminho?

Estudante é assassinado na madrugada - o que trago aqui é a angustia do professor.

A escola e o jovem... O jovem e a escola. Diante das tantas realidades em que estamos, qual serão aqueles conhecimentos que indicam um bom caminho? O conhecimento da vida; a experiencia vivida; ou o conhecimento escolar; e quais outros... e o mais importante: quais devem as atitudes de quem ensina os caminhos?

Não podemos fugir da realidade, também não podemos somente assistir. Aqueles que têm segurança no seu caminho, e não caminha só, pode dar a mão aquele que não tem caminho. Essa reflexão apresenta uma raiz simples: os jovens.  Tomo como ponto de partida um estudante do turno da noite da Escola Tereza Rosa Abtibol.

A um mês, nossa escola perde para os descaminhos desta comunidade um jovem. Neste mês, ainda na madrugada perdemos hoje outro jovem, o Kennedy. Vamos nos acostumar a perder nossos jovens e colocar a culpa somente nos descaminhos traçados por eles, e achar que é só isso? Deixar que os passos dados por jovens como Kennedy sejam a única determinação para o fim de suas vidas?

Kennedy, assim como outro, vinha para escola, o que ele ia fazer lá? Talvez ainda acreditasse em um caminho seguro, por isso ainda ia a escola. Ou será que a comunidade desvia um pouco na hora de responsabilizar-se em encaminhar os jovens? Lembrando que a comunidade, somos todos nós, leitores.

Gostaria de assumir minha parte da culpa, para pesar a dor em mim, para não esquecer os outros jovens! Eu, professor do Kennedy, dei pouca atenção aquele que estava fora de sala... Pra falar a verdade, nunca me aproximei dele, nem lembrei que era quando recebi a notícia de seu assassinato, mas ele tinha estado na minha sala de aula poucas horas antes de sua morte.

Então não sosseguei, ainda perguntando-me: a leitura que estava fazendo, do livro que eu escolhi estava, por acaso, fora de contexto?... eu insisti pouco? Assumo que em dois meses nem dei muita atenção, mas ele estava lá, e muitas vezes na atividade de cada horário...

E seus colegas... que aproximação e proposta de convivência foi feita a ele, e aos outros, e a outros vivos ainda estão por lá? A escola vai perder um por mês e, debitar 11 vidas no final do ano na conta do descaminho "culpa deles". Ou culpa nossa, socialmente nossa, e quem vai reclamar da violência? Afinal de contas, morto não fala.

Começo a me alertar e ver que precisa-se (e preciso) ir mais fundo, mais próximo deles e, entender que diante da aprendizagem da sobrevivência da violência do seu descaminho, a aprendizagem escolar é acessória. Mas que uma mão de quem quer que seja e retornar ao trilho do caminho seguro longe da foice que tem colhido nossos jovens.

É com muito pesar que compreendo o descaminho, mas me intrigo de não ter estendido um pouco a mão. Não dar para pedir desculpas ao Kennedy, mas dá para estender a mão para outro jovem.

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